Diploma para jornalistas; um acessório, não um componente

Jorge Marçal Jr. (*)A primeira vez que fiz um texto pra jornal foi no início da década de 80 e foi para denunciar uma “máfia” que agia dentro da delegacia de trânsito, quando parecia àquela época, que as coisas iam de vento em popa para os despachantes e responsáveis pelo caixa dois do departamento. Foi assim, até que eu dei uma “trombada” nos agentes. Foi mais ou menos como aquelas coisas de você ficar indignado, mas tão indignado que fica até sem palavras para expressar a sua indignação, INDIGNA NAÇÃO!!Ao levar meu carro para ser transferido de nome, encontrei aquele agente – já falecido – que me disse: “Olha, vai ali naquele despachante que ele resolve pra você”. Ao perceber que estava sendo nitidamente “enrolado” por aquele senhor, dei corda para ver até onde aquilo ia. Não preciso dizer que tudo era mais rude do que a maneira como hoje nós sermos tratados pelas delegacias de trânsito deste país, VARGINHA no meio. Hoje está oficializada essa intermediação entre despachantes e departamentos de trânsito. Se o documento entrou pelo despachante, fica pronto no mesmo dia, se foi “particular”, provavelmente uns três dias, fora os contratempos arrumados por agentes “preocupadíssimos” com o cumprimento da legislação.Esse foi o meu primeiro gancho como “jornalista”. A minha história foi tão boa, tão bem contada em detalhes, que rendeu primeira página da GAZETA DE VARGINHA, em negrito, assinada, com orla em volta. Chamava mesmo a atenção. Foi tão chocante que fez com que o delegado regional de ALFENAS fosse deslocado para Varginha “a fim de apurar os fatos” e que eu fosse chamado para esclarecer os fatos.Se todos têm um começo, esse foi o meu. Depois disso, continuei a fazer “reportagens” para o jornal do Wilmar Neves, que naquele tempo era bastante respeitado. Tudo o que fiz foi, basicamente, informar para os leitores como é que se davam os procedimentos para uma simples transferência de proprietário de veículo. Além disso, a delegacia, naquela época, vivia infestada de despachantes e de pessoas ligadas a eles, dentro da delegacia, manipulando papeis e documentos de todos os tipos.Foi também a primeira vez que eu fui perguntado se não temia ser como o “Baugarten” e aparecer com a boca cheia de formiga. O advogado que me acompanhou no depoimento – para eu não ter que ir sozinho – ficou mais nervoso do que eu com a ameaça velada do delegado, tentando me desqualificar, que eu não entendia nada do assunto para poder ficar falando – ou escrevendo. Acho que foi todo esse metiê, que me deu condições de continuar a escrever, procurando, ai sim, melhorar os textos; ser mais conciso e, mais adiante, quando passei a escrever mesmo como jornalista, ganhei a adesão de uma revisora, pessoa muito boa na redação e no português, que passou a me ajudar na finalização dos textos. Aquela pessoa que não tinha nenhuma informação sobre o assunto e que acertava o texto, como que um leitor, para que as informações ficassem completas. Daí por diante, a minha escola foi na rua, nos manuais de redação e na leitura “clinica” de muitos jornais. Por esses fatos, considero que o diploma não ajuda muito, só diz que eu tenho curso superior. Mais nada.(*) Professor, jornalista e bacharel em Ciências Contábeis

Comments 4

  1. Aprendi muito

  2. rubao says:

    eram os anos 80 e logo em seguida ele fundou o tabloide A voz ….
    nessa epoca o PT era esquerda e o PMDB era direita …
    as coisas eram mais claras…
    hj ta tudo junto e misturado

  3. Corsário says:

    Eu Entendi muito bem o que o Jorge relatou acima, o Gabriel não deve ter entendido porque ele deve ter tirado o diploma de Jornalista recentemente.

  4. Gabriel says:

    emocionante este texto. o leitor não entende nada. quem escreveu?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.