Há quase dois anos, escrevi um artigo elencando reflexões sobre impactos das alterações no trânsito no dia-a-dia dos habitantes de Varginha-MG. A cidade mineira é um típico exemplo de município de médio porte que teve sua população inchada, entre as décadas de 1980 e 1990, porém sem que houvesse nenhum planejamento de longo prazo para acolher essa migração. Antigas fazendas deram espaço a loteamentos privados sem infra-estrutura: calçadas, áreas verdes e sem integração com a região central.
Escrevo esse novo artigo enquanto me desloco para uma cidade 100% sem veículos motorizados na Amazônia brasileira: Afuá na Ilha de Marajó, no Estado do Pará. Clique no título para ler o artigo completo.
O município, às margens da foz do rio Amazonas conta com aproximadamente 40 mil habitantes, e é um território a ser estudado por especialistas e acadêmicos que enfrentam o desafio de repensarem as médias cidades brasileiras no que tange a mobilidade urbana.
As mudanças no trânsito promovidas pela Prefeitura de Varginha, ao menos em um primeiro momento, contemplarão apenas o sentido de mão dupla para mão única.
Alterações como essas são apenas paliativas, já que não estão embasadas em nenhum plano municipal de mobilidade urbana.
As melhores referências de intervenções são as que integram todos os modais, priorizando sempre o mais frágil(pedestre) e o inclusivo(coletivo). A qualidade das calçadas estimula a marcha à pé, já o transporte público com tarifa acessível e integração gratuita fomenta a mudança cultural do paradigma de que é utilizado somente por idosos, menores de idade e população de baíxissima renda.
Um olhar sistêmico sobre o tema contempla as mais diversas formas de deslocamentos, tais como: ciclovias, ciclofaixas, pistas exclusivas para motos e também, claro, o automóvel.
Em um processo de mudanças tão significativas, tanto o Executivo quanto o Legislativo municipal precisam se atentar para indicadores que despontarão em função desta nova política. Os bairros margeados pelas novas pistas perderão gradativamente a tranquilidade e a qualidade de vida, uma vez que se tornarão atalhos para aqueles que desejam economizar com combustível. Parece contraditório, porém é isto mesmo: para circular mais rápido em pistas mais largas, os condutores motorizados varginhenses deverão se deslocar por maiores distâncias, poluindo mais o ar e investindo mais dinheiro para essa “vantagem”.
Um dos maiores especialistas em mobilidade urbana no Mundo, o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa sempre aborda que as obras no trânsito que privilegiam o automóvel logo são esquecidas pelos eleitores porque seu prazo de eficiência é muito curto. Já as intervenções que se traduzem em bem-estar ao coletivo, potencialmente benefíciando a todos os cidadãos, entram para a história da cidade.
Peñalosa quando reduziu drasticamente as vagas para estacionamentos em Bogotá para dar espaço a calçadas mais largas e ciclofaixas, recorreu a um direto constitucional: “Não é obrigação do Estado prover estacionamento público ao transporte privado. Se o cidadão tem um veículo próprio, que estacione em um estacionamento particular”. Toda essa sofisticação e inovação das políticas públicas de Peñalosa renderam reconhecimento e inspiração para diversas localidades do Planeta.
Desde a gestão do ex-prefeito Mauro Teixeira, uma ideia orbita entre alguns políticos e empresários da cidade, porém sem que as articulações para a sua efetividade se consolidasse. Trata-se da transformação da antiga linha férrea em uma ciclovia e rota para caminhadas. Desde o bairro Centenário até a Vila Paiva são aproximadamente 6 km de geografia totalmente plana que corta grande parte do município, inclusive a região central.
Politicamente, a intervenção no trânsito é extremamente delicada para a atual gestão municipal, uma vez que o idealismo e o projeto foi desenvolvido pelo ex-prefeito Eduardo Carvalho, que não se esforçou em executá-la precavendo o potencial desgaste pelo resultado desastroso em um ano eleitoral(2012). Cabe agora ao prefeito Antônio Silva e à Câmara Municipal, o desafio de executá-la através de um planejamento mais aprofundado e discussão com a sociedade.
Por que Varginha deveria se contentar com um projeto de alteração de sentido de ruas, quando o interesse coletivo é por mudanças estruturais?
(*) Idealizador e um dos organizadores do evento “Na Contramão pela Educação no Trânsito” que teve sua primeira edição em Varginha-MG durante a Semana Nacional de Trânsito em setembro de 2013.

“Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho andar a pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.
Moral: Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém.
Do livro: Fábulas de Esopo – Companhia das Letrinhas”
Para meditação….
Espero que de tudo certo, que possa melhorar.
espero que tudo e cedrto nao podemosa deszanimar
Sei que a mudança no trânsito é uma tentativa de melhorar o fluxo de carros, mas acho que em vez de passar a avenida para mão unica, deveria ser pensada a possibilidade de acabar com todo e qualquer estacionamento e fazer 4 vias. 2 em cada sentido. Já que todos poderiam estacionar nas ruas paralelas ou próximas sem prejuízo pra ninguém. Não uso o transporte público faz muito tempo, mas fico pensando em quem vai sentido Imaculada etc como vai fazer pra ir pra casa a noite tendo que pegar um ônibus… Espero que alguém do “planejamento” esteja lendo isso e pense a respeito de manter o sentido duplo na avenida, pois a noite tenho receio de passar por algumas ruas devido a péssima iluminação pública dos bairros. Nos cobram pelo serviço, mas colocam umas lâmpadas mais fracas que uma vela. Att. Mariela
bom a minha preocupação é a restrição de veiculo acima de 5 tonelada. como os comerciante vão fazer para descarregar suas mercadoria em horário comercial.muitos comerciantes vão ser prejudicados .
Lendo outro artigo aqui no blog me deparei com a seguinte resposta do Secretário: “vamos aguardar o resultado da mudança no trânsito, queremos ver como o fluxo vai se comportar”.
Absolutamente descabido e infeliz… não se pode chamar de “projeto” essas mudanças irresponsáveis que em sua concepção não observaram os impactos que causarão nos bairros (planejamento, gestão, prevenção, etc).
A despeito do fato da iniciativa ser da administração anterior, a atual, ao dar andamento teve oportunidade de rever as intervenções, e se não a tivesse deveria tê-la promovido. Mais do que amadorismo, incompetência e irresponsabilidade, chegamos as raias do total descaso… como se o espaço público a e mobilidade urbana pudessem ser tratados como “cobaias” sem um mínimo de prudência ou método. Exposta fica a população, embriagada pelo momento carnavalesco… neste Samba do Crioulo Doido, enredo de intervenções insanas.
se não faz, reclamam.
se faz, reclamam tambem.
então temos que repensar nossa existencia. estamos aqui pra quê?
Excelente matéria do Diego. Com certeza a mudança neste trânsito se faz necessária. Existe hoje o Engenheiro de Mobilidade e pergunto. Na gestão do Eduardo Carvalho existia tal engenheiro para este projeto? Para mim que moro na região do Rezende será excelente, pois vou para o centro rapidinho, pois hoje em dia o trânsito está parando próximo a Caixa Econômica aqui do Jardim Andere com lentidão até a nave. Por outro lado, para voltar para casa que eu quero ver. Pegar os trevos arriscando minha vida e de meus filhos? Não. Vou fazer exatamente como o Diego colocou, vou cortar pelos bairros, Catanduvas, Novo Horizonte e Canaan até subir para sair perto da RN Tintas. Então, coitado dos moradores destes bairros, que sofrerão com o aumento do fluxo de veículos. Agora, se fosse resolvido a questão trevos, fazendo trincheiras pois viadutos em Minas são raros, ai sim, poderei optar por passar pela rodovia e acredito que muitos o farão. Pessoal da Vila Pinto, preparem, pois o trânsito perto do fórum, hospital vai dobrar. Acho que não deveriam duplicar isso até a igreja de Fátima e sim até a nave, pois daria flexibilidade para quem vem da Rodoviária e quer chegar ao centro, podendo inclusive entrar em frente ao catanduvas e descer em direção ao bairro catanduvas, criando assim opção para quem precisa voltar para o centro e demais regiões da cidade.
PACIENCIA GALERA VAI DAR TUDO CERTO! O QUE PODE SER FEITO POR ENQUANTO ESTA SENDO FEITO!
ALGUMA COISA TEM QUE SER FEITO NÃO ADINTA FALAR QUE VAI DAR ERRADO AS COISAS AINDA NEM ACONTECERAM, TEM TUDO PARA DAR CERTO TEMOS QUE TER PACIÊCIA E SABER RESPEITAR O INICIO DAS MUDANÇAS SE DRE ERRADOS E OS ORGÃOS COMPENTEDES PERECEBEREM MUDA DE NNOVO, MAIS TEM QUE SER FEITO NÃO ADINTA FICAR OLHANDO 12 ANOS PARA TRÁS TEMOS QUE OLHAR PARA FRENTE O QUE PASSOU E PASSDO JA ERA VAMOS A LUTA SR PREFEITO…..
O que eu vejo nos projetos de Varginha até agora são grandes erros, claro que a maioria foram mal avaliados nos 12 anos da gestão anterior. A Avenida nova no fundo do zoologico, apesar de ser 2 faixas é estreita para 2 carros, e o pior, já esta sendo feito construções lá e a calçada que estão deixando é estreita, por ser uma avenida que vai se tornar uma das principais, a prefeitura deveria exigir recuo de pelo menos 3 metros para calçadas. Outra coisa que deveria ser exigida é que nos loteamentos novos, a rua principal seja de 02 faixas nos 2 sentidos e também com calçada de no minimo 2,5 mts. Bairros novos aparecem todo dia em vários loteamentos, porém com ruas simples e no futuro vão se tornar gargalos para o transito. Ainda é tempo dá para mudar.
“Um dos maiores especialistas em mobilidade urbana no Mundo, o ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa sempre aborda que as obras no trânsito que privilegiam o automóvel logo são esquecidas pelos eleitores porque seu prazo de eficiência é muito curto. Já as intervenções que se traduzem em bem-estar ao coletivo, potencialmente beneficiando a todos os cidadãos, entram para a história da cidade.
Peñalosa quando reduziu drasticamente as vagas para estacionamentos em Bogotá para dar espaço a calçadas mais largas e ciclofaixas, recorreu a um direto constitucional: “Não é obrigação do Estado prover estacionamento público ao transporte privado. Se o cidadão tem um veículo próprio, que estacione em um estacionamento particular”. Toda essa sofisticação e inovação das políticas públicas de Peñalosa renderam reconhecimento e inspiração para diversas localidades do Planeta.”
Transcrevi esta parte do texto porque ela descreve o que realmente se precisa fazer! Além deste Sr. Peñalosa, tantos outros estudiosos sobre mobilidade urbana tem discutido o assunto trânsito e a retirada de vagas de estacionamento público para incentivar o uso de transporte público, seja por ônibus, táxi ou outros meios para aqueles que dele dispõem. No caso específico de Varginha, poderiam pelo menos analisar a possibilidade de se colocar faixa exclusiva em sentido contrário nas vias que terão o sentido único implantado….mais de que adiantaria então a rua deixar de ser mão dupla se ela teria uma faixa exclusiva??? Alguém poderia estar se perguntando….A ideia seria não ter estacionamento na região central da cidade e nas ruas onde se fará a mudança, aumentando a quantidade de faixas para um sentido, se colocaria uma exclusiva no sentido contrário para o uso de ônibus, táxis e veículos oficiais, leia-se viaturas! Talvez, somado ao que já está planejado, seria uma alternativa de aumentar a vida útil da grande mudança. Fica a dica!
MEU CARO DIEGO – LI COM MUITA ATENÇAO ESSA SUA REFLEXAO. VC FOI EXTREMAMENTE OBJETIVO E COMPETENTE NA SUA ANALISE E SUAS SUGESTOES. ENTENDO QUE O PREFEITO ANTONIO SILVA, COM A SUA SENSIBILIDADE, ESPIRITO PUBLICO E DETERMINAÇAO EM ENFRENTAR E BUSCAR SOLUÇOES PARA OS PROBLEMAS QUE AFLIGEM A NOSSA CIDADE, HAVERA DE DAR UMA ATENÇAO ESPECIAL A ESSA SUA IMPORTANTE COLABORAÇAO TECNICA. GRANDE ABRAÇO.
Passa o bastão,vai desgastar !
Infelizmente é assim.
Parabéns pelo texto, nós do MFVR-Movimento Ferroviario de Varginha e Região,elaboramos o Projeto TUV-Trem Urbano de Varginha,que contemplaria outros modais, o melhor exemplo desse modelo, é o que está sendo implantado na Baixada Santista,que encontra-se bem adiantado e dentro do cronograma,com compensações ambientais, estudo paleontológicos,conscientização dos moradores,integração dos estudantes e professores. Nosso movimento iniciou com ideia regional, mas a mobilidade urbana é premente na cidade,inclusive tivemos apoio na ideia de dois dos maiores especialistas em engenharia ferroviária e mobilidade do país. Óbvio que gente contrária,sempre existirá,mas o debate precisa se travado.
http://www.ferroviva.blogspot.com
Pergunto:há no projeto de Reforma,uma faixa exclusiva para coletivos,ou seja onde é que os
coletivos irão circular na direção Rodoviária ,Centro é Bairros,Floresta,Jardim Andere,Imaculada,Resende,Centenário Etc…ou teremos uma faixa exclusiva para fazer esse trajeto.
Não é mudanças de outro mundo, isto acontece só aqui mesmo no planeta Terra; nem o ET quis ficar aqui. Só aqui que existe o ser racional que quer fazer á sua maneira para todos o seguir. Como já disse Maquiavel “querendo levar vantagem em tudo”. Também só aqui que existe político, pessoa preocupada com a coletividade, cidadania; sempre procura gastar o dinheiro público com obras necessárias para o bem comum. Em Varginha não diferente, a obra do transito, que maravilha! Muito organizada, planejada, com certeza vai beneficiar toda a população. Perguntar não ofende ninguém, onde será que os administradores para perguntarmos pela polícia militar, pois não tem ninguém organizando o transito. A polícia assinou um contrato com a prefeitura para cuidar do transito, no entanto, não se encontra policial em lugar nenhum . Está uma verdadeira bagunça, trabalhadores, máquinas, pedestres (idosos, muitas crianças por causa de muitas escolas na proximidade das obras), além de muitos carros. Depois que acontecer algum acidente, vão aparecer os fazedores de média, os responsáveis lamentando e dizendo que foi apenas mais uma fatalidade.