Exorcista por acaso
Por Jotabê (*)
Azucrinardinho era sem dúvida, um impertinente capaz de deixar todo mundo irritado, principalmente quando o pessoal estava concentrado nas conversas de início de noite nos barzinhos da periferia após o trabalho. Quando a conversa estava bem animada, chegava o, “gente boa” para atrapalhar. Ninguem suportava sua intromissão em conversas que não lhe interessavam. Clique no título para ler o artigo completo.
Azucrinardinho, após encher a cara, e se embriagava, nem tatu calçado de chuteira aguentava. Do local onde a conversa estava animada, imediatamente se desfazia quando ele chegava. Quem não gostava de sua atitude eram os donos de bar. Os clientes sempre arrumavam uma desculpa quando ele aparecia. Cada um tinha um motivo para sair, deixando o indesejável sozinho.
O pior ainda tinha por vir. Azucrinardinho, não gostava de pagar a conta. Simulava uma suposta invasão de mau espírito. Gesticulava, falava palavras desconectas, dava chilique e às vezes até babava para dar impressão que estava possesso. Comerciantes, com a ajuda de alguem que estava por perto, colocavam o rapaz para fora do estabelecimento. Dali a pouco ele levantava e logo em seguida partia para outro bar.
Numa manhã de domingo, em um barzinho animado, clientes bebiam e comemoravam a conquista do campeonato do time de futebol do bairro. Aí apareceu Azucrinardinho. Tudo estava nos conformes, até ele chegar. Mudou por completo o ambiente. O clima de festa se transformou em silencio. Para chamar a atenção, o indesejável começou a dar seu show. Virando os olhos, sacolejando o corpo e rodopiando como se fosse um pião, parou de frente com Chico Bordoada, que não gostou nada daquilo que via. Com um taco de sinuca, trovejou uma ripada na nuca de Azucrinardinho. Milagre. Ficou curado na hora.
O melhor para todos do bairro. Nunca mais ouviram falar do indivíduo.
(*) Tatu é amigo do Blog, jornalista, radialista e também faz serviço de motofrete de entregas em Varginha.