Janilton Gabriel de Souza (*)
Chegamos ao fim… Do ano e da nossa série de artigos sobre a família. Vimos que ela mudou, mas seu papel simbólico na formação dos sujeitos permaneceu. O Ano Novo está chegando e por falar nisso, vamos às “novas” famílias. Clique no título para ler o artigo completo.

Uma enquete da Câmara dos Deputados perguntava: “Você concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família?” O projeto, moralista e preconceituoso, tenta tratar o núcleo familiar a partir das pessoas que o compõe, como se o sexo dos personagens fizesse alguma diferença. Levantam, na verdade, a bandeira do modelo burguês, (surgido no século XIX e constituído por mãe, pai e filhos) como se ele por si assegurasse o funcionamento de uma família. Esse modelo é tão problemático, quanto os outros.
Nesse caso, fica a pergunta: Como casais do mesmo sexo, formariam uma família? O arranjo é possível desde que a função de mãe e de pai aconteça. Lembrando, a função materna e paterna não, necessariamente, coincide com o sexo. Temidos com o futuro, alguns dizem, mas se forem criados por dois homens, o filho (a) fará uma escolha homossexual? Se esse raciocínio fosse correto, nada explicaria a escolha homossexual de filhos de pais heterossexuais.
As organizações familiares são simbólicas e ocorrem em uma esfera inconsciente. Portanto, os que suportam tais funções são os pais da criança, pois nutrem um filho em seu desejo, em seu afeto e sabem que não é tarefa simples o exercício parental. Ainda mais, que não existem manuais de bons pais. A implicação é para cada um e não se pode terceirizar para as escolas e/ou outros.
Ser esse suporte dói, pois requer a sustentação de limites ao filho. A garotada é esperta, levam os pais a mudar um “não” para um “talvez” e os fazem chegar ao “sim”. Contrário à manipulação filial, o exemplo é de um exercício paterno. A filha chega e diz: “Pai, quero viajar para Disney, posso?” O pai, responde: “NÃO.” “Mas… Pai, a minha amiga vai.” O pai permanece em silêncio. “Mas… pai, os pais dela deixaram, por que você não deixa?” O pai: “Eles são os pais dela e eu o seu. E eu, não deixo”. Parece uma cena dura, mas isso tem efeitos importantes na vida de um sujeito em formação: nem tudo é permitido.
No programa “Momento Saúde”, Dr. Adilson Rosa me perguntou: “e, no futuro… Como serão as famílias?” Respondi que a estrutura familiar continuará em mudanças. Encontraremos arranjos diferentes dos comuns de hoje, mas o funcionamento, ainda, estará condicionado ao universo simbólico.
Os personagens poderão ser diferentes, mas a trama a mesma. Continuará a existir, as funções, materna e paterna. Os adultos do futuro, provavelmente, ainda contarão histórias com seu pai e com sua mãe, sejam eles separados, homem e mulher ou duas mulheres. Assistiremos as regravações da mesma novela,
(*) Psicólogo e Psicanalista. Referência no Sul de Minas em tratamento de casos graves, para os quais desenvolve uma modalidade clínica diferenciada. Especialista em Teoria Psicanalítica e Mestre em Psicologia (Psicanálise) pela Universidade Federal de São João Del-Rei, onde também contribuí como pesquisador. Colaborador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Editor do site Janilton Psicólogo (www.janiltonpsicologo.com.br). Atende em seu consultório particular – Contato para consultas (35) 3212 6663.

É uma pena que alguns vejam o projeto de Deus para a família como moralista e preconceituoso. Todo tipo de família tem seus problemas, que se agravam a medida que fogem ao padrão bíblico: obediência, a Deus, aos pais, aos professores, às autoridades e às leis da natureza. Tantos problemas tem origem nestas desobediencia.