Fugindo para não casar
Por Jotabê (*)
Tem um ditado que diz: “malandro é o gato. Não toma banho e anda sempre limpo, anda pelo telhado e não faz barulho e ainda por cima tem sete vidas. Albercanjo Fujão tinha tudo do bichano. O que o sogro andou a procura deste rapaz não está escrito. Removeu montanhas para caçá-lo. Clique no título para ler a crônica completa.
Tudo começou assim: Albercanjo era um rapaz alto, esbelto, e indubitavelmente muitas mulheres o teriam achado elegante. Vestia sempre um terno de tecido bom. Os sapatos eram do melhor couro e brilhavam. Seu cabelo longo, negro e brilhante, diariamente penteado para trás, pondo a descoberto, uma fronte alta e branca. Suas mãos eram longas e finas, muito bem cuidadas, e seus dedos afilados e suaves como os de uma mulher. Sobre sua pessoa parecia haver um letreiro dizendo: Jogador profissional. E não havia a menor duvida de que aquelas mãos tão tratadas estariam mais acostumadas ao contato dos baralhos, nas mesas de jogo, do que a segurar qualquer instrumento de trabalho.
O rapaz havia chegado a pouco por aqui. Conheceu uma moça de família simples, mas muito bonita. Tinha uma cabeleira que parecia ouro, olhos azuis, lábios naturalmente vermelhos, evidentemente macios e doces. Era alta como ele, esguia e flexível, cheia de curvas, se apaixonou perdidamente pelo jovem, a ponto de cometer qualquer loucura para tê-lo a seu lado. Era o que ele queria. Ninguem sabe, mas já devia ter se aproveitado de outras ingênuas como ela.
Sem que os pais soubessem, os dois se encontravam as escondidas, até que a jovem ficou grávida. Foi uma tragédia para a família. O boato correu como rastilho de pólvora. A cidade toda comentava o fato. Albercanjo sumiu do mapa, se mandou, não quis assumir o filho.
O pai da moça, um homenzarrão de traços duros, um tanto barrigudo. Seus olhos tinham uma expressão hostil. Mas o detalhe mais significativo, na sua pessoa, era uma cinta com uma fivela bem polida que levava na cintura, colocada desde que ele sumiu, tinha e esperança de um dia encontrá-lo.
Em suas andanças pela região, ficou sabendo que um determinado homem com suas características frequentava uma casa de jogo em uma cidade não longe daqui.
Sem nunca imaginar, Albercanjo se viu diante daquele tamanho de homem, não teve forças para levantar da cadeira. Apanhou de correia feito gente grande. Veio na marra para cá.
O detalhe: A Praça João Gonzaga foi o local do casamento.
“Se Albercano fugiu para não casar. Na próxima edição tem uma história de um que fugiu para casar. Aguarde”!
(*) Tatu é amigo do Blog, jornalista, radialista e também faz serviço de motofrete de entregas em Varginha.