Por Jotabê
Chegada do trem de ferro na Estação Ferroviária, fogos de artifícios no Alto do Tide, Carnaval de Rua, passagem da Marcionita desfilando nas ruas da cidade fazendo propaganda das Casas Maracanã e a soltura dos presos nas quartas de cinzas, sem duvida eram os atrativos do varginhense. (…)
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Bons tempos aqueles hem? Vocês se lembram da Praça João Gonzaga, nas quartas-feiras de cinzas? Era um dia especial para os moradores da cidade. O local ficava repleto de pessoas que aguardavam a soltura dos arruaceiros que aprontavam no carnaval, e levados para o xilindró. Por volta das onze, os melhores lugares já eram tomados por espectadores. Tinha ano, que num clássico entre Flamengo x Atlético de Três Corações na Rua Paraná, tinha menos gente que na Praça João Gonzaga. Quando ia aproximando o meio dia então: tinha pessoa que disputava à tapa um lugar privilegiado. Principalmente em um ano da década de 1970. Naquela quarta, entre os presos, estava um figurão que todos queriam ver. Ninguém poderia acreditar que Georgentino estivesse lá, no meio dos presos.
Todo cidadão que errava a mão no período carnavalesco brigando, fazendo arruaça e perturbando a ordem, ganhava uma carona na “Rita Pavone”, apelido da Rádio Patrulha na época. A Lei determinava que todo aquele infrator, só teria liberdade prisional, logo após o meio dia. Era um espetáculo à parte. Alguns presos saiam cabisbaixos, escondendo o rosto. Outros nem tanto. Tinham aqueles que já eram figurinhas carimbadas, que sempre estavam no meio todo ano.
Mas num carnaval de uma data qualquer da década de 1970, estava entre eles: Georgentino Falastrão. Gostava de passar sermão em alguém que bebia, fumava, brigava e fazia arruaça. Era intragável. Moralista e chato até demais. Toda vez que uma pessoa deixava as celas da cadeia, lá estava ele dando conselhos. Os pobres coitados aguentavam aquilo quietos de medo de voltar ao xadrez. Só que ele não esperava, que um dia chegaria sua vez e, justamente no carnaval.
Num sábado lá pros lados da rodoviária antiga, surgiu um quebra pau generalizado. Não se sabe por qual motivo a briga começou. Parece que houve um desentendimento com o dono de bar. Por ali estava Georgentino tentando apaziguar. Levou um safanão e revidou. Daí o bicho pegou. Cadeiras, copos e garrafas voaram por todo lado. A Rita Pavone desceu lotada.
Na segunda-feira quando o Varginha em Foco deu a notícia, foi um corre corre tremendo. Ninguém queria perder o espetáculo na quarta: Ver Falastrão deixar a cadeia. Quando foi libertado, levou uma verdadeira vaia dos espectadores. Centenas deles.
Sumiu da cidade. Só depois de muito tempo apareceu por aqui com aquela cara lavada.
Ê o Kiko ?