
O pausa para o cafezinho desta semana é sobre a história de uma encantadora família de cafeicultores do Rio de Janeiro, que através da paixão pela cultura do café renovou a beleza de suas lavouras e aprimorou a qualidade dos seus grãos.
Essa história começa em 1993, Ana Regina Rocha Ribeiro Majzoub conta que seu pai Olympio Matheus Ribeiro, depois de 50 anos longe de sua cidade natal toma a decisão de retornar a Purilândia 2º distrito de Porciúncula, região noroeste fluminense que faz divisa com Minas Gerais e Espírito Santo, uma região reconhecida por seus vales e vegetação exuberante.
A partir desse retorno muitas mudanças começaram a acontecer na vida deles, seu pai comprou um terreno, construiu a casa da família, e depois de cerca de um ano após a compra das terras iniciou o plantio de café, que se transformou no Sítio Iranita.
Ana Regina relata as dificuldades após o falecimento do seu pai em 2005,momento em que teve que decidir com sua mãe Clenair Rocha Ribeiro, e o marido Suhail Majzoub se continuariam com a propriedade que era um sonho do seu pai, ou se retornariam para o Rio de Janeiro. Felizmente, a decisão foi unânime e aceitaram o desafio em assumir o comando da propriedade rural, mas foram percebendo o quanto era difícil viver apenas da agricultura.
Para manter o patrimônio que seu pai havia conquistado com tanto trabalho e dedicação, era necessário fazer algo diferente. Percebeu que a alternativa que lhe restava era buscar capacitação, informações e uma ampla pesquisa sobre o mercado de café, para que conseguissem vender não mais um café commodity como na época do seu pai, mas um café mais competitivo, com qualidade e valor agregado.
A partir dessa busca, foram atrás de assessoria e também de outros cafeicultores da região, foram se movimentando para reestruturar o negócio da família, segundo Ana Regina precisavam se posicionar em relação ao mercado.
Começaram a investir em 2009 na qualidade do café e a buscar estratégias para a comercialização,criaram sua própria marca, para continuar o legado do seu pai, e foi aonde surgiu o nome “Café Iranita” que tinha um significado ainda mais especial para a família, o nome “Iranita” é uma homenagem ao avô Irany e a sua avó Nita, resgatando assim toda a trajetória do seu pai vivida naquelas terras, e a sua origem, o lugar que a conquistou definitivamente muitos anos depois, finaliza Ana Regina.
Um dos diferenciais na produção são os cuidados e processos realizados desde a separação dos grãos após a colheita que é realizada sobre um pano para evitar contato do grão com as impurezas do solo. Depois os grãos vão para o lavador e na sequência para o despolpador, sendo secados em terreiro de pedra, estufa ou terreiro suspenso aonde os grãos serão espalhados em camadas finas e revolvidos constantemente.
O resultado é um café especial suave, encorpado e com acidez equilibrada, reforçam também que todo esse resultado se deve ao trabalho em parceria com trabalhadores locais, fortalecendo as relações humanas e estimulando a qualidade de vida dessas famílias.
Depois de 15 anos, eles celebram suas conquistas com o apoio de seus parceiros e colaboradores.O Sítio Iranita possui 50% de mata nativa, e com altitude que varia entre 400m a 600m, conta com uma estrutura adequada para a produção de cafés especiais de excelente qualidade, o grande exemplo disso foi um microlote de café natural que chegou a uma pontuação de 85,6 pontos, em uma região que responde hoje com 70% da produção do Estado.
O reconhecimento de todo empenho e esforço veio em Dezembro de 2016 com Selo Top 100 da Gastronomia do Rio de Janeiro da ABRESI – Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo; 2017 com o Prêmio Estadual Sebrae Mulher de Negócios na categoria Produtora Rural, e 2018 com 1º lugar no Prêmio Mulheres do Agro categoria pequena propriedade da Bayer, e o Prêmio Rio Produtivo do Sebrae.
Hoje, Ana Regina faz parte da IWCA Brasil – Aliança Internacional das Mulheres do Café (International Women’s Coffee Alliance),um grande canal de conexão entre mulheres cafeicultoras que possibilita troca de conhecimentos e experiências, promovendo uma grande integração com todos os elos da cadeia produtiva dando visibilidade ao papel da mulher no campo.
Participam também da ASCARJ (Associação dos Cafeicultores do Estado do Rio de Janeiro) e da APRORIO (Associação de Produtores Agroindustriais do Rio de Janeiro).
A linha de Café Iranita possui o novo Selo da Agricultura Familiar (Senaf) e Sou do Rio, e pode ser encontrada em diversas lojas, cafeterias e delicatessens no Estado do Rio de Janeiro, nas embalagens de 1Kg e 250g de café torrado em grãos e 250g de café torrado e moído e também em cápsulas, além de microlotes exclusivos que também são vendidos através do site da marca que entrega os seus cafés em todo o território brasileiro, basta entrar em contato através do direct no instagram, ou nos telefones de contato divulgados nesta publicação.
Ana Regina também nos conta que diante a essa pandemia tem intensificado os cuidados dentro da sua propriedade, através do distanciamento social nas lavouras e com o uso de máscaras no campo, e relata que a maior dificuldade que tem enfrentado neste momento é em relação as vendas que caíram mediante a quarentena, e para sobreviver nesse novo cenário tem buscado novas formas de divulgar e vender os seus produtos, atraindo novas parcerias e clientes.
Que neste complexo momento de pandemia que estamos todos passando, possamos fortalecer e multiplicar a solidariedade, empatia, e nos inspirar em histórias como a da cafeicultora Ana Regina, que transformou o sonho do seu pai em um negócio sustentável para a sua família, ajudando também outras famílias de cafeicultores intensificando esse elo da cadeia cafeeira entre o pequeno cafeicultor, torrefador e cafeteria.
A cafeicultora Ana Regina deixa também um breve recado para todos os leitores do blog do madeira.
Quer conhecer um pouco mais sobre a história dessa família?
Instagram: @cafeiranita
Site: www.cafeiranita.com.br
Telefones: (22) 9 8801-8257 e (22) 3844-2233
E você o que achou da nossa matéria? Compartilhe conosco!

Lilian Trigolo –Cafeicultora e apaixonada pelo universo do café e toda a sua cultura cafeeira.
