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Home Pausa para o cafezinho

Pausa para o cafezinho – Homenagem ao Cafeicultor João Roberto Puliti

Bruna Leite by Bruna Leite
26 de maio de 2020
in Pausa para o cafezinho
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O pausa para o cafezinho desta semana é sobre a história de trabalho, transformação, amor e anos de dedicação de um importante personagem para o desenvolvimento do setor cafeeiro brasileiro, o cafeicultor João Roberto Puliti.

A sua relação com o café já estava no DNA desde o seu nascimento em Itajubá no Sul de Minas Gerais,seu pai era cafeicultor do município e relembra com carinho a época em que acompanhava o trabalho de seu saudoso pai na fazenda, “adorava separar os grãos verdes dos maduros só para chupar os maduros debaixo do pé de café, como não utilizavam fertilizantes era seguro naquele tempo, e tinham uma doçura incrível”, finaliza João Roberto.

Em 1960, João Roberto já casado, adquire e se muda com a esposa Daisy Puliti para uma fazenda centenária com criação de gado leiteiro e produção de cafés em São Gonçalo do Sapucaí na região da Mantiqueira de Minas, reconhecida pela excelência na produção de cafés especiais, e por cenários que se conectam a impressionantes obras da natureza.

A fazenda completa este ano 60 anos na família com o nome de  Santa Rita do Xicão, carrega histórias e grandes tradições, ela pertenceu ao Conde D’Eu e Princesa Isabel (filha de D. Pedro II) a personagem histórica feminina mais conhecida da família real brasileira, que acabou com a escravidão no Brasil quando assinou a  Lei Áurea, e depois pertenceu a uma empresa francesa aonde exploraram ouro chamada Xicão Gold Mine, sendo adquirida logo após pelo João Roberto.

João Roberto Puliti é considerado referência no setor cafeeiro do estado de Minas Gerais nas últimas décadas, tem uma vasta trajetória de contribuição no desenvolvimento da cafeicultura,foi  presidente da Camig,diretor do IBC, diretor da Faemg por cerca de 30 anos,membro do conselho consultivo do Sebrae Minas, exercendo sua última atividade antes de se aposentar aos 85 anos como conselheiro fiscal na Coopervass (Cooperativa agropecuária do vale do Sapucaí em são Gonçalo do Sapucaí).

João Roberto relembra o período em que participou de uma pesquisa sobre o consumo de café entre jovens brasileiros quando dirigia o consumo interno do  extinto IBC (Instituto Brasileiro do Café) o primeiro instituto de café na época, que tinha como objetivo coordenar as estratégias do setor desde a produção até a comercialização do consumo interno e externo dando suporte   técnico  e econômico para a cafeicultura.

O resultado desta pesquisa foi surpreendente, descobriram que o consumidor jovem iniciava o consumo de café no momento em que ele começava a namorar e passava a se concentrar na casa da namorada, já que a sogra recebia o genro sempre com um cafezinho, um avanço para o perfil dos jovens consumidores, João Roberto acompanhou de perto essas mudanças de consumo em suas viagens a diversos países, presenciando inclusive o início do consumo de café em países como Japão e Rússia que diminuíram o consumo de chá para beber café.

Através de suas palestras e seminários mobilizou a região de Manhuaçu-MG, quando era diretor da FAEMG, e diz que os resultados eram nítidos de um ano para o outro junto aos cafeicultores, “eles começaram a se capacitar,e trocar mais informações  até mesmo entre eles não faziam um plantio sem antes verificar o solo,diz João Roberto.

Ele resgata histórias,estratégias e contribuições técnicas da cadeia produtiva, em que fez parte ativamente, e lembra com satisfação do programa Café +Forte da Faemg e Senar Minas, um programa que proporciona ao pequeno,médio e grande cafeicultor ferramentas e condições para  fortalecer a  gestão da cafeicultura para assim atravessarem um período de safra e comercialização mais favorável e produtivo, reconhecendo o custo de sua produção.

“O mercado de café oscila muito, é muito complexo e seletivo, o produtor precisa se planejar,e investir na qualidade  e conhecimento dos seus grãos”, diz João Roberto,e ainda cita como exemplo, a época em que o governo dava o incentivo  aos cafeicultores de 10 reais para cada pé de café que não fosse produtivo e tivesse que cortar,aonde as mudas cortadas eram substituídas  por novas,e diz que  o IBC foi um grande precursor disso,ajudou muito neste período, e ainda dá destaque a lenda Paula Motta que gerenciou e contribuiu com excelência para todo esse movimento, trazendo renovação nas lavouras de café de todo o Brasil.

Toda a sua família hoje está envolvida na cadeia do café, e ele fala com orgulho da filha Lydia Puliti Meirelles que atualmente está a frente da gestão da fazenda em São Gonçalo, pois após a morte de sua esposa Daisy ele dividiu as terras entre os seus filhos, e esse histórico na cafeicultura também se estende ao marido de Lydia,  Sérgio Meirelles Filho,também cafeicultor e agrônomo que assim como sua esposa seguiu os passos e a trajetória de paixão pela cafeicultura como seu pai Sérgio Meirelles, que foi um dos pioneiros na cultura do café na  região de Capelinha e São Gonçalo do Sapucaí.

Lydia e o marido Sérgio produzem hoje cafés de alta qualidade em suas fazendas, sendo uma na região de Capelinha no nordeste de Minas Gerais, e comercializam hoje 3 linhas de cafés de marcas próprias na categoria tradicional extraforte e especial, além da produção em São Gonçalo do Sapucaí, sempre priorizando variedades resistentes a pragas e doenças, visando qualidade,inovação e sustentabilidade do grão à xícara.

E a paixão e o envolvimento na cafeicultura se estendeu também aos netos de João Roberto, filhos de Lydia, o caçula José Bento Puliti Meirelles também já demonstrou sua paixão pelo café, e a filha Raquel Puliti Meirelles atua na área já alguns anos, e faz um trabalho incrível como gerente de marketing da marca Nescafé (Nestlé), “gosto muito de  acompanhar com a minha neta Raquel as tendências do mercado, tem sempre uma novidade, um novo método de preparar café, são experiências enriquecedoras’’, diz João Roberto.

As prevenções para o coronavírus dentro da fazenda estão sendo acompanhadas de perto pelo neto José Bento, que reuniu todos os panhadores para falar sobre a  importância da prevenção e o  resultado tem sido positivo, estão bem conscientes, na fazenda todos utilizam máscaras e álcool gel, e um técnico de segurança do trabalho se desloca toda segunda-feira para fazer uma palestra aos trabalhadores reforçando todos os cuidados neste período tão difícil, completa sua filha Lydia.

Com muita competência Lydia já segue os caminhos do seu pai,  ela é hoje a presidente do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM), que visa especialmente valorizar o trabalho do pequeno cafeicultor e hoje conta com mais de 100 filiados,e inúmeras ações são realizadas como cursos, dias de campo,treinamentos,que antes só contavam com o apoio da Emater, é gratificante ver a motivação deles, quero mudar a mentalidade deles e focar nos cafés especiais, completa ela.

Ela cresceu vendo os pais envolvidos na cafeicultura, lembra com saudades da mãe dirigindo o trator da fazenda, e acompanhando a medição em balizas,e fala com maior orgulho e carinho do seu pai,  e agradece todo incentivo que recebeu dele e de sua mãe,“meu pai é um homem muito humano que sempre ajudou a todos,me sentirei feliz se conseguir fazer na minha vida ao menos metade do que ele já realizou na dele, seria uma grande honra”, finaliza.

Minha singela homenagem ao João Roberto Puliti, cafeicultor e profissional incansável na busca pela melhoria na cafeicultura do Brasil, foram tantos relatos que nem caberiam todos em uma só matéria devido a sua enorme experiência, muita admiração e honra em poder relatar um pouco de sua jornada. Que possamos nos inspirar em histórias como essa, e aprender com esses grandes personagens do café que contribuíram com empenho e paixão para  o avanço no desenvolvimento do setor cafeeiro.

João Roberto Puliti em vários momentos como em 1973 na sua fazenda Santa Rita do Xicão em São Gonçalo do Sapucaí-MG, com seu filho João José nas lavouras de café; como presidente da Camig com o então governador Ozanan Coelho, com o governador da Bahia Antônio Carlos, em 1974 com o então governador de Minas Aureliano chaves, em 1978 com o secretário da Agricultura Agripino Abranches, com diretores do IBC Paula Motta, Nilo Dante e o embaixador Rainho da Silva. E em 2013 como diretor da faemg na Sic com Marcos Reis e Carmem Souza do Sebrae com a filha Lydia Puliti Meirelles e a neta Raquel Puliti Meirelles no stand da chapada de minas.

João Roberto deixa também um breve recado para todos os leitores do blog do madeira.

 

Quer conhecer um pouco mais sobre a história dessa família?

Instagram: @cafe_varietal @cafe­_aranas

Site: https://www.cafearanas.com.br/

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Lilian Trigolo –Cafeicultora e apaixonada pelo universo do café e toda a sua cultura cafeeira

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Tags: pausa para o cafezinho
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Comments 4

  1. DIRETO E RETO says:
    6 anos ago

    Eu confesso: NÃO CONSIGO GOSTAR DE CAFÉ (e olha que já tentei inúmeras vezes).

  2. Rodney says:
    6 anos ago

    Que legal!!! Parabéns pela matéria, e parabéns ao Sr João Roberto!!

  3. Sandra says:
    6 anos ago

    História inspiradora!

  4. Mauricio Aureliano Ferreira says:
    6 anos ago

    Linda matéria! Belíssima homenagem. Conheço Sergio Meirelles e Lydinha, tive a honra e o prazer de trabalhar e adquirir bastante conhecimento com eles.

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