Por Vanilda de Souza (*)
Estamos em junho e dia 5 foi instituído como Dia Mundial do Meio Ambiente, para nos alertar da imprescindibilidade de respeitamos a vida. Sim, a vida, pois, à medida que desmatamos, poluímos rios, mares e lagos, o ar com gases tóxicos, extinguimos 150 espécies da fauna e flora diariamente - entre outras atitudes destruidoras-, colocamos em risco toda a vida no planeta, inclusive a nossa (sempre é bom lembrar).
Tudo em nosso entorno tem vida e merece respeito, pois o grande Criador nele se faz presente. No entanto, somos vorazes e petulantes na obtenção do lucro a qualquer preço, mesmo que isso custe nossas vidas.
Aproveitemos este dia para refletir sobre isso e o nosso consumismo predador. Acreditamos que comprando o que nos é oferecido pela propaganda, teremos mais felicidade.
Tal comportamento só mascara o vazio interior deixado pelo afastamento de nossa essência. O consumo inconsequente aumenta o desperdício, a produção de lixo e os impactos ambientais.
Em palestra proferida durante o Fórum Social Mundial, para representantes de mais de 160 países, o professor e teólogo Leonardo Boff destacou, há algum tempo, disse que a continuar assim, em 2050 precisaremos de dois planetas Terra.
Segundo ele, o atual modelo econômico fracassou contra a própria humanidade e contra o planeta. O bem estar de todos e a preservação da Terra são sacrificados ao lucro de poucos. Salientou ainda que as crianças aprendem cedo a conjugar o verbo comprar, mas desconhecem o que seja compartilhar.
“Um sistema onde a cada 4 minutos uma pessoa perde a visão por carência de vitamina A e a cada 5 segundos uma criança com menos de 5 anos morre de fome ou desnutrição demonstra-se incapaz de assegurar o bem estar da humanidade”, enfatizou Boff.
O universo caminhou 15 bilhões de anos para produzir o planeta que habitamos e em apenas 200 anos de industrialização caminhamos para destruí-lo. Ainda há tempo, afirmam estudos de cientistas renomados, mas para isso precisamos deter a gana de consumir, de ter em detrimento de ser, como bem citou João Paulo II.
Simples gestos do dia a dia corroboram para a preservação do meio ambiente: evitar sacolas plásticas e produtos embalados em isopor, dar preferência a alimentos orgânicos, sem pesticidas e agrotóxicos, comer mais verduras e frutas e menos carne, deixar torneiras desligadas ao banhar-se ou escovar os dentes, diminuir o consumo de energia elétrica, andar mais a pé pra evitar o lançamento de gases tóxicos na atmosfera, denunciar queimadas e cortes de árvores, não atirar lixos nos bueiros e nascentes de água e também nas vias públicas, separar o lixo reciclável do orgânico, entre outros.
Buscar o crescimento de forma sustentável, não exaurindo os recursos finitos como água e solo é atitude premente. Ou mudamos nossos hábitos arraigados de desperdício, com foco no respeito ao meio ambiente ou estaremos fadados à autodestruição, pois lembrando um grande chefe indígena : “tudo o que acontecer à Terra recairá sobre os filhos da terra.” Paz com o meio ambiente é do que mais precisamos agora.
Paz pela paz.
(*) Jornalista ambientalista e voluntária do Movimento pela Paz
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