
Por J. Campos
Rogério informou aos pais que fora convidado para uma festa comemorativa de aniversário acompanhado de amigos em determinada chácara próxima, e que os companheiros passariam à noite para pegá-lo de carro.
Acrescentou que iria dormir um pouco de modo a aguardar a chegada do pessoal, mas acrescentou que, na verdade, estaria mais a fim de acordar cedo no dia seguinte para ir ao clube participar de competição esportiva, demais companheiros.
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Em meio ao cochilo, deliberou ir mesmo àquela festa no próprio carro da família de sorte a não depender da boa vontade dos outros para trazê-lo de volta. E, como costuma acontecer, os pais alertaram-no ficar atento com relação ao tempo, pois ameaçava chover.
Sentindo chegada a hora, saiu com o veículo da casa para o alegre evento calçando as botas novas já que os participantes combinaram ir à caráter, pois ambiente prometia ser mais animado sendo o tema de festa junina. E lembrou-se de dar carona à amiga Maria Lúcia de modo a irem juntos.
Ao chegarem, a moça falou em deixar o estojo de pequenas peças de maquiagem no porta-luvas de sorte a ficar de mãos livres.
A animação aconteceu pela noite adentro com música e muita confraternização entre convidados e anfitriões.
Houve um instante em que, por certo descuido, Rogério esbarrou por acaso em alguém e, em consequência, sofreu ligeiros salpicos da taça de bebida do outro, coisa de pouca importância, mas que chegou a manchar-lhe a manga da camisa.
Terminado o encontro, lá pras tantas da madrugada, retornaram para suas casas combinando voltarem juntos enquanto ele iria na frente, acompanhado de jovem amiga.
Todavia, aconteceu que em certa curva da estrada, ao desviar-se de certo buraco na pista, o carro desgovernou-se quase se precipitando barranco abaixo, mas Rogério conseguiu controlar a direção tendo o veículo raspando no tronco de uma árvore próxima ao acostamento o que provocou, em consequência, ligeira mossa na lataria.
Por sorte nada sofreram além do susto.
Fez-se necessário que os companheiros, com certo esforço, ajudassem-no a recolocar o carro em posição correta mesmo pisando em poças d’água, já que havia chovido, de sorte a prosseguirem o retorno sem maiores problemas.
Ao amanhecer em casa, os pais perguntaram se ele dormira bem uma vez desistira de ir ao encontro. E comentaram que eles também aproveitaram para ir ao cinema uma vez que o filho resolvera ficar. Apenas perguntaram a respeito da mancha na camisa dele e os calçados sujos de lama, pois não havia chovido. Mas não tiveram resposta imediata ante a hesitação dele.
A mãe ainda falou que achou ao estojo no porta-luvas e que deveria ser da Maria Lúcia. O pai também comentou que esbarraram no seu carro no estacionamento, mas o responsável deixou bilhete no para-brisa dizendo-se pronto a assumir reparos sendo proprietário de oficina de lanternagem.
No decorrer do dia, alguns amigos ligaram para ele comentando como foi a festa, ao tempo em que lamentavam a sua ausência entre eles.
Ao falar com Maria Lúcia sobre o estojo, esta lembrou-se de que de fato o havia deixado no porta-luvas do carro naquele dia em que os dois foram à lanchonete e esquecido de pegar.
(J. Campos Ribeiro – Poeta, escritor, membro da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências (AVLAC)

