

Por Vanilda Marques
Bentevi, bentevi, te vi,te vi,te vi. O amarelo de seu peito mistura-se ao do ipê, que transborda pelas ruas, montanhas aqui em Minas e acolá. A cor amarela é o anúncio do fim do inverno e começo da primavera, que, a despeito de nós, chega em grande estilo. Pastos, ruas e calçadas mostram-nos uma alegria da qual qual carecemos. Brancos, roxos, vermelhos, rosas, mas a prevalência é do amarelo.
Amarelo laranja, luz do sol, sabor laranja, abóbora, quem sabe tangerina. Mas o amarelo que cobre vales e montanhas ressequidos pelo intenso calor, devido as efeitos produzidos pelas ações humanas, mostra-se aberto para a primavera, que tirará a opacidade cinza do inverno ressequido.
Os ipês, ano a ano parecem nos admoestar ou sacudir-nos sobre a imprescindibilidade de preservarmos nosso entorno, de respeitarmos a natureza e seus ciclos. Acenam para a possibilidade de reabilitarmos o meio ambiente em que vivemos.
Agora, com o bentevi saltando de galho em galho com seu canto alegre, indiferente às mudanças climáticas e aquecimento global, dá boas vindas às flores de manacá da serra, lírios, rosas, cravos e marias-sem-vergonha que florescem por jardins e campos afora.
Humilde, porém altivo, saltita em torno do ipê que abriga seu ninho e se regozija com a passagem do tempo e mudança de estação, sem pressupor em seu canto, que homens caminham rumo à destruição de muitas primaveras que advirão.
Enquanto isso, ruas e calçadas da cidade, ipês espalham suas flores chão afora; árvore colorida e democrática que, neste calor intenso, com sua sombra, abriga ricos, pobres, crianças, jovens, adultos, independente de sua cor, raça, ideologia, Dá colo e aconchego.
O ipê foi criado para dar vida e colorido ao inverno, ou fim do inverno, enquanto as flores se preparam para dar colorido à
primavera. Por isso é forte em si mesmo, alentador, visando encantar nossos olhos e dar alento às nossas almas. E fica tão pouco em sua beleza suprema!
Aproveitando o chegar e ir dos ipês, fica-nos o alerta: se não cuidarmos melhor do Planeta, em breve até o mais forte ipê, não resistirá, e estaremos fadados a desaparecer daqui, devido ao nosso egoísmo, à ganância desmedida e à nossa incúria. Volto a recordar o grande chefe indígena de Seatlle: “só quando a última árvore for derrubada, o último rio envenenado, o último peixe morto, vocês brancos descobrirão que dinheiro não se come.”
Vanilda Marques Souza Jornalista, ambientalista e voluntária do Movimento pela Paz e Não Violência
AQUI EM CASA COMEÇOU A FLORIR O IPE VERDE, MUITO LINDO
Curtindo muito este texto!