
JB – O verdadeiro Tatu da Rádio
A lógica de quem torce a um time de futebol, é estar sempre ao lado na glória ou na pior. Torcer depois para o rival; nem pensar. Essa lógica não funcionou para um cruzeirense depois de um acidente automobilístico na volta à cidade depois de uma final no Mineirão. O pior: seu time foi campeão.
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Dois irmãos eram sócios de um bar bastante movimentado e com variado tipo de tira gosto; era ponto de encontro dos amantes da cerveja, da cachaça e do futebol. Torcedores de diversos times depois do trabalho no final da tarde se encontravam ali para colocar em dia a proza.
Ormesindo e Emersindo, os donos do bar, apesar dos nomes parecidos não eram gêmeos. Ormesindo, quatro anos mais velho, Cruzeirense doente. Ermesindo, atleticano fanático. Quando a discussão ficava acalorada era preciso a intervenção dos clientes para apaziguar; apesar da rixa futebolística, os dois se davam bem; vez ou outra iam à Belo Horizonte, sempre quando as duas equipes se defrontavam. Um na arquibancada da torcida do Cruzeiro e o outro na do Atlético. Após a partida os dois se encontravam em lugar combinado nas proximidades do estádio pra voltar pra casa.
Certa vez, os dois novamente foram ao Mineirão para mais uma final do Campeonato Mineiro. O Cruzeiro foi campeão ao vencer o Jogo por 2×1. A torcida cruzeirense fez a maior festa com o título, e no meio todo feliz estava Ormesindo. Do outro lado a tristeza. Ermesindo sofria com aquela derrota.
De volta para casa, em um fusquinha, vendendo felicidade o cruzeirense fazia o maior esforço para não gozar o irmão para evitar um confronto. Vinham com tranquilidade, até Ermesindo perder o controle do veículo e bater em um barranco causando ferimentos em seu irmão. Por coincidência quem socorreu a vitima foi um médico que vinha próximo do carro que estavam. Usando a camisa do Atlético, socorreu com seu veículo até um hospital de uma cidade pertinho dali, onde ele exercia a profissão. Ormesindo, cruzeirense foi atendido pelo próprio medico atleticano que acabou cuidando de seus ferimentos.
Ormesindo ficou internado por cinco dias. O doutor todo dia dava uma passadinha no quarto do paciente para acompanhar o restabelecimento de seu paciente.
No dia da alta, o profissional da saúde deu de presente ao cruzeirense a sua camisa: a do Atlético, para que ele se lembrasse daquele que cuidou de sua enfermidade. Não teve como recusar, afinal o doutor cuidou de seus ferimentos e ele estava a salvo. Colocou a camisa e chegou a Varginha.
Sem que ninguém entendesse, Ormesindo todos os finais de tarde ostentava a camisa o Galo.
(*) J.B. Tatu é colaborador do BlogdoMadeira há 12 anos.
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