
Por Alexandre Braga (*)
Johann Sebastian Bach, um dos maiores nomes da arte ocidental era, ao que leva a crer, um homem dotado de um forte gênio, absoluto em suas convicções, figura dura e determinada. Luterano devotado, parece não haver espaço para anedotas na vida dessa figura tão severa.
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Mas… corria o ano de 1705, quando Bach tinha 20 anos e conseguira seu primeiro emprego como organista, em Arnstadt. Ele solicitou uma licença de 4 semanas a seus superiores. O motivo seria visitar o grande Dietrich Buxtehude, organista em Lübeck, cidade a cerca de 370 Km de Arnstadt.
Concedida a licença, conta a história que Bach se pôs na estrada…a pé!
Parece que a viagem fez valer cada quilômetro percorrido, pois o que inicialmente seriam 4 semanas se transformou em 4 meses!
Bach certamente aprendeu muito com o mestre, tanto na prática do órgão como na composição. Excetuando o prazo prolongado de estadia, até que a história não permite qualquer anedota.
Mas Buxtehude já estava com 68 anos e, ao que parece, vislumbrou em Bach seu potencial sucessor. Porém, o costuma da época era que o sucessor se cassasse com a filha do antecessor, ou seja, Bach teria que se casar com a filha de Buxtehude.
Só que essa “empreitada” já havia sido negada por dois prováveis sucessores a pouco tempo atrás: Handel e Mattheson.
Podemos tirar nossas conclusões sobre os atributos estéticos da garota, uma vez que Bach também recusou a generosa “oferta”! Infelizmente não há qualquer registro iconográfico da filha de Buxtehude.
Por falar em Handel e Mattheson, os dois protagonizaram uma cena bizarra. Dizem que em 1704, durante a apresentação da ópera Cleópatra (escrita pelo próprio Mattheson), na qual os dois atuavam, houve um desentendimento que levou Mattheson a convocar Handel para um duelo.
Nesse duelo, Mattheson teria acertado um golpe de espada em Handel. Porém um botão teria salvado a vida do grande compositor (uma outra versão atribui uma partitura no bolso de Handel como a salvadora da vida do compositor do oratório Messias). Depois do incidente eles se reconciliaram, pois eram grandes amigos.
Outro acidente curioso, envolvendo também um compositor do período barroco, é sobre Lully. Jean-Baptiste Lully, nasceu Giovanni Battista Lulli, na Itália.
Por que é importante eu mencionar isso? Porque existiam duas grandes escolas, dois grandes estilos de composição no período barroco, cada qual com suas particularidades: o italiano e o francês. E o maior nome do barroco francês foi exatamente Lully, italiano de nascimento!!
Mas o que mais chama a atenção sobre esse compositor é o motivo pelo qual veio a falecer: estava a conduzir a apresentação de um Te Deum, em homenagem a uma recuperação de saúde do Rei Luís XIV. Ele fazia uso de bastão, batendo-o no chão marcando os tempos, como se fosse o antecessor de um maestro. Porém, em determinado momento, o bastão bateu no seu pé. O local infeccionou e ele veio a falecer de gangrena meses depois do ocorrido.
(*) Flautista varginhense, integra a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG), membro-correspondente da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências (AVLAC) em Belo Horizonte.

Texto maravilhoso como sempre! É tão bom saber sobre esse lado humano de gênios inalcançáveis da música clássica. Isso nos deixa bem mais perto do grande mistério que é a Música Barroca!