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Home Geral

Um vírus destrutivo da ignorância?

Bruna Leite by Bruna Leite
3 de maio de 2020
in Geral
0

Por Janilton Gabriel de Souza

Era quinta-feira, minha aula de Psicanálise no curso de Psicologia (Unis-MG) seria antecipada em decorrência de uma nota de segurança enviada a todos sobre o Covid-19. Na sexta-feira, o cancelamento do 6º Psicanálise em Diálogo e os seminários de meu amigo e parceiro de trabalho, o psicanalista francês Benoît. Paralisação das aulas presenciais, na semana seguinte, ao longo da semana o ajuste com cada paciente. Foi assim que percebi o Real à porta.

Nesse cenário, restaram os atendimentos online como um possível frente ao impossível. Para mim, que vinha experimentando os atendimentos online, supervisões, grupos de trabalhos com colegas de outros países através do recurso digital, nenhuma novidade.

Tudo começou com um paciente de outro estado, que necessitou de um acompanhamento mais frequente. Meus primeiros minutos foram vividos com estranheza e veio a lembrança da mesma sensação nas primeiras sessões. Logo isso cessou e fluiu como se o paciente tivesse acabado de sentar-se na poltrona ou deitar-se no divã. As possibilidades de atuação do psicanalista para além do consultório sempre me despertaram atenção.

No TJMG trabalhei e desenvolvi uma pesquisa sobre o fazer do psicanalista frente aos conflitos amorosos. Na sequência, dediquei ao atendimento a casos graves no modelo argentino chamado de Acompanhamento Terapêutico. Na primeira, no TJMG, constatei a possibilidade da escuta e os efeitos analíticos para aqueles que chegam à Justiça.

É possível uma intervenção de modo a levar o sujeito a se responsabilizar, aqui no sentido francês da palavra, ou seja, da resposta do sujeito àquilo que o acomete, podendo refletir sobre sua posição e como ela diz daquilo que lhe faz sofrer.

A segunda utilizei-me do Acompanhamento Terapêutico como uma ferramenta capaz de produzir efeitos importantes em casos de maior complexidade. Se o louco (psicótico) produz um afastamento do laço social, a aposta de atuar com ele na circulação pela cidade para além das quatro paredes do consultório se mostra eficaz e, em alguns casos, uma amarração simbólica fundamental capaz de proporcionar estabilidade ao quadro, inventando uma forma singular de ele se incluir no social.

Estamos diante de um cenário em que o atendimento online deixou de ser uma possibilidade para se tornar a única. Até este momento, não faltaram profissionais criticando esse modelo. Parte disso deve-se à própria resistência dos profissionais diante das possibilidades de um tratamento ocorrer, de verificar o que se tem construído teoricamente e, principalmente, de transformar a técnica psicanalítica em um modelo cujo paciente precisa nele entrar para um tratamento ser possível.

O efeito disso é a ignorância da construção de um tratamento possível. Lacan advertia, a resistência do psicanalista pode operacionalizar sintomaticamente na condução do caso e torná-lo inviável. O paciente está no direito de resistir, pois é por isso que ele sofre e nos procura. Ao psicanalista não cabe a resistência. Se ela aparece, há que trabalhar a fim de verificar seu limite de, por exemplo, não atender online.

Reconhecer seus limites pode permitir ir além ou ficar bem com a questão. No ataque a essa modalidade de atendimento, pode existir uma indisposição em saber além da tentativa de se proteger do conhecimento. Afinal, desconstruir as formas anteriores e ter que se lançar ao novo, nos convoca ao trabalho. Não fazer isso é agir no sintoma cujo propósito é o de ignorar um vir a saber.

Para isso, a advertência de Lacan cabe, a do psicanalista estar atento à subjetividade de sua época. Essa que é atravessada pela tecnologia e nos últimos dias pelo Real da morte, do isolamento social e da paralisação tão semelhante à das guerras. Os psicanalistas podem morrer junto com aqueles que ignoraram a existência do vírus, morrerão, pois, por não serem capazes de inventar possibilidades frente ao impossível.


“Todos esses que aí estão. Atravancando meu caminho, Eles passarão… Eu passarinho!”, dizia o poeta Mário Quintana. A Psicanálise seguirá com seus passarinhos inventando formas de voar, sem perder a leveza e a beleza de sua experiência.

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