
Embasado na pesquisa de cientistas americanos e chineses em estudo divulgado no Portal BioRxiv, o jornalista e ambientalista Diego Gazola percorreu entre março e abril, cerca de cinco mil quilômetros do norte ao sul da Tailândia.
A nova expedição do Reality Nascentes da Crise expõe curiosidades sobre a descoberta de 33 tipos de vírus congelado a 15 mil anos no Tibete. O degelo acelerado pelas mudanças climáticas emergiu estes patógenos e a pesquisa busca por indícios que correlacionam potencialmente também com o novo coronavírus que paralisou a humanidade desde o início de 2020.
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A viagem à Ásia teve início em 11 março, data em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia global de COVID-19. Durante a escala na Alemanha, com as mudanças nas regras de trânsito, a outra escala de Gazola que seria em Pequim na China foi cancelada. Assim o pesquisador teve que aguardar 24 horas até ser remanejado para voo direto desde Frankfurt até Bangkok, a capital da Tailândia.
A pesquisa teve com norteadores geográficos, os cursos dos rios Yangtsé, Salween e o Mekong. Os três nascem em território chinês, no Planalto do Tibete, porém fluem para direções diferentes.
O primeiro se direciona para o leste, passando pelo núcleo urbano de Wuhan, epicentro do novo coronavírus e deságua na Baía de Hangzhou em Xangai. O rio Yangtsé é o terceiro mais extenso do mundo, atrás do Amazonas e o Nilo. Como as fronteiras estavam fechadas, não foi possível chegar até o rio na China.
Já o rio Salween, desde a nascente também no Tibete, segue para o sul formando parte da fronteira entre o Myanmar e a Tailândia. Após um trajeto de moto de 700 quilômetros e muita negociação com a guarda de fronteira, o pesquisador obteve autorização para a coleta da amostra da água próximo à cidade Mae Ho.
O terceiro rio abordado no documentário é o maior do Sudeste Asiático. O Mekong flui no sentido sudeste, cruzando após a China, outros cinco países: Myanmar, Tailândia, Laos, Camboja e deságua no Mar da China no extremo sul do Vietnã. A amostra da água foi coletada em uma região conhecida como Triângulo Dourado, na cidade de Chiang Saen.
Gazola não acredita na possibilidade de que em estado líquido, as moléculas da água em si transmite vírus, porém pondera que o fato de Wuhan estar localizada às margens do rio Yangtsé seja um fator a ser considerado nas pesquisas sobre as origens da COVID-19. “Em geral, as cidades se desenvolvem ao longo de corpos hídricos. Os humanos, assim como a fauna transita entre territórios e os cursos d’água são propícios para deslocamentos. Na linha de pesquisa que compactuo, a emergência do novo coronavírus pode estar relacionada ao aquecimento global e à consequente aceleração do degelo nas nascentes destes importantes rios asiáticos”, salienta o pesquisador.
Agora, o desafio é a busca por parceiros para a realização da análise das provas para mapearem eventuais resquícios de patógenos presentes nas amostras.
Nascentes da Crise é um formato inovador de reality-show sobre clima. Desde 2014, o projeto materializa em video, o que a ciência explica por meio de teorias e gráficos. As experiências em campo registram a relação entre o ciclo das águas e as mudanças climáticas e a interação com o público se dá pela pela hashtag #nascentesdacrise no Facebook, Twitter e Instagram.
O Reality traz reflexões sobre causas e consequências em áreas de transição de biomas, regiões em que ocorreram episódios de extremos climáticos e na realidade no entorno dos principais rios das bacias hidrográficas do planeta.
O resultado da sétima etapa é o documentário de doze minutos que será lançado nesta quarta (10) às 18h em Live pelo perfil @DiegoGazola no Instagram.
Os filmes das etapas anteriores, assim como todos os detalhes sobre o projeto estão no site www.nascentesdacrise.com.br
Excelene materia sobre o Cantor romantico de Varginha – Antonio Borba.